É madrugada e acordo febril, todo meu corpo queima a uma temperatura alta, todo ele dói, não existe uma parte do meu corpo que não esteja tomado de dor. O suor escorre pelo meu corpo, o lençol em baixo de mim está molhado, meu cabelo ensopa o travesseiro, meus olhos ardem, minha cabeça lateja. A minha cama gira, a escuridão parece infinita e meus olhos não conseguem rompê-la, o silêncio da alta madrugada reina lá fora, enquanto ouço o meu coração a bater descompassado em meu peito, o meu sangue corre fervendo e rápido por minhas veias, meus pensamentos estão desordenados, tento em vão ordená-los.
Fico deitada, paralisada, tentando recompor minha respiração e mais uma vez ordenar meus pensamentos, chego à conclusão que estou sozinha, mas preciso fazer algo, porque creio que a morte está próxima e penso como seria o anjo da morte, este anjo que desejo conhecer de maneira tão árdua nesses últimos tempos. Fecho meus olhos novamente e ouço finalmente o barulho do mar, das ondas quebrando na praia e batendo no píer, recobro minha respiração com a ajuda do ritmo do mar, a vertigem vai acabando lentamente, tento recobrar minhas forças.
Levanto devagar, procuro ainda fraca uma vela, a luz serve para eu achar meu casaco, que coloco por cima da minha camisola. Saio do meu quarto e desço a grande escadaria, chego à porta de entrada e saio para a noite. Uma brisa gelada faz todo o meu corpo quente se arrepiar, ando lentamente, ainda estou fraca, vou em direção à praia.
Desço a escadaria anexa à mureta, eu coloco meus pés descalços na areia gelada e meu corpo se arrepia por inteiro novamente, avanço em direção ao mar, sento-me alguns metros de distancia de onde quebram as ondas, respiro o ar gelado da noite, me encolho em meu casaco, e deixo meu pensamento devagar no encontro da lua cheia e do mar. Ele passeia por todos os acontecimentos recentes de minha vida, pára por uns instantes em algum momento e logo volta a divagar. Lagrimas começam a escorrer em meu rosto, meu coração se encolhe em algum canto escuro do meu peito, minha alma quer fugir da escuridão que me transformei. Olho para os lados, e novamente estou só.
Procuro me encolher mais em meu casaco, agora choro compulsivamente, meu peito dói, a vertigem volta, a febre parece aumentar, e começo a perder o controle de minha mente, mas antes que a loucura me tome de assalto, ainda consigo pensar em você, e devido a um desses acontecimentos que ninguém consegue explicar: senti meu corpo ser tomado por outro corpo, senti braços fortes a me abraçaram, fui sendo acomodada lentamente em um peito aconchegante, fui sendo aquecida por um corpo quente, acalentada por mãos firmes,, mas carinhosas, acalmada por uma voz doce que me dizia: “Está tudo bem. Eu estou aqui agora. Fique calma, sim.”.
Escondi-me em seu peito, me enrosquei em seus braços, e de lá não sai, ate que a voz me disse: “Venha vou te levar para casa agora.”. Fui conduzida ate em casa, apoiada em seu ombro e protegida por seus braços. Fui posta de volta na minha cama, e senti o peso do seu corpo a deitar ao meu lado, fui conduzida para seus braços, e acomodada em seu peito, e ele sussurrou: “Agora durma minha querida, velarei seu sono e a manterei protegida.”. E assim adormeci naqueles braços, acomodada naquele peito, instalada no meu melhor lugar do mundo. Enquanto ele brincava com meus cachos e sentia o perfume do meu cabelo.
Acordei no outro dia com minha cama vazia, apenas eu estava deita nela, a febre havia cedido, a vertigem já não existia, minha respiração voltará ao normal e meus batimentos cardíacos estavam controlados, assim como, eu já era, novamente, dona de meus pensamentos. Fiquei ali, deitada olhando para o teto, pensando se tudo aquilo foi mais um dos meus sonhos delirantes. Mas tudo pareceu tão real, teu corpo, tua pele, teu perfume, a sua voz e a maneira como encontrei a paz e a proteção nos seus braços. Uma alucinação pode ser tão concreta assim?
Aconcheguei-me entre meus travesseiros e quando encostei o rosto em um deles, que estava mais próximo, senti o seu perfume, o seu inconfundível perfume, e posta com delicadeza, nesse mesmo travesseiro, lá estava uma rosa vermelha.
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