Uma especie de mal súbito tomou-a de assalto naquela madrugada fria, o céu estava negro e límpido, não haviam estrelas, apenas a lua cheia e amarela, como um circulo de luz flamejante, solitário em uma imensidão negra. Ela teve diversos sonhos, mas não pode se lembrar de nenhum ao certo, eram imagens desconexas e desagregadas, passando em sua mente em uma velocidade incrível. Ela acordou suada, respiração ofegante, fala entrecortada, seu corpo todo estava banhado em suor e começou a chorar compulsivamente. Só conseguiu dormir após longos goles de absinto.
No outro dia, logo ao amanhecer, sentou-se na cama e se pós a pensar. Não conseguia descifrar as imagens, mas seguiu sua intuição, saiu para fria manhã, sentiu o vento gelado que vinha do Mediterrâneo, cobriu a cabeça com o capuz de seu manto negro, para se proteger da garoa e seguiu em frente, sem saber que rumo estava tomando, e aonde seus passos apertados e apressados a levariam, sua mente divagava. De repente seus instintos a pararam em frente a uma grande igreja de estilo gótico. Ela olhou a escadaria, e começou a subi-la, entrou na igreja e observou calmamente, todas as imagens, nos afrescos pintados nas paredes. Leu as inscrições em latim. Escolheu um banco e ajoelhou-se, fez sua oração diante de Cristo, sem saber ao certo o que aquela oração dizia e então levantou-se e seguiu na direção do altar, tomou o lado esquerdo, aproximou-se, segurou nas grades do grande portão de ouro, com seus entalhes e detalhes sacros, e olhou para dentro, em meio ao escuro, pode ver Cristo carregando sua cruz, e Verônica a limpar seu suor e seu sangue. Em frações de segundo pode senti-lo, ele estava lá, sua presença era tão perceptível, quanto a de qualquer corpo material que ali estivesse, podia sentir sua energia e escutar os batimentos de seu coração e o barulho de sua respiração. Ele estava ali, ele agora habitava ali. Que melhor lugar para se resguardar do que aquele lugar que era sagrado.
Ela saiu da Igreja, desceu as escadarias e rumou para casa, com o coração leve e alma tomada de uma melancolia que podia ser facilmente confundida com paz de espirito ou ate mesmo felicidade.
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